terça-feira, 17 de maio de 2011

Entenda o Processo de Beatificação de Irmã Dulce

Papa Beato João Paulo II com Irmã Dulce em visita
a Salvador em 1991

A espera não foi longa. Dez anos se passaram entre a instalação da Causa de Beatificação e a assinatura pelo Papa Bento XVI do decreto que permitiu que o Anjo Bom passasse a ser conhecido como Bem-aventurada Dulce dos Pobres.
As gestões oficiais para a instalação do Processo de Beatificação e Canonização foram iniciadas em 1999, com a concessão do Nihil Obstat, documento, onde a Santa Sé decreta não existir impedimento para a introdução da Causa. Em janeiro de 2000 ocorre a instalação do processo, presidido por Dom Geraldo Majella Agnelo. A fama de santidade da Mãe dos Pobres é reconhecida em 2009, com a concessão pelo Vaticano do título de Venerável.
Por fim, em dezembro 2010, seis meses após a exumação e transladação de suas relíquias para o túmulo definitivo, localizado na então Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, hoje Santuário da Bem-aventurada Dulce dos Pobres, e o aval do Colégio Cardinalício para o milagre, o Santo Padre assina o decreto da Beatificação.
Com Fé e oração, milhares de devotos, amigos, colaboradores e admiradores do Anjo Bom do Brasil, espalhados já por todo o mundo, aguardam agora a continuidade da Causa e a concessão pelo Santo Padre do título de Santa aquela que dedicou toda sua vida a acolher e curar os males de várias gerações de deserdados pela sorte e que procuravam e encontravam nela o último alento e, porque não dizer, a própria vida.
Com o objetivo de facilitar a compreensão dos leitores, segue-se a cronologia de todos os fatos relacionados ao Processo de Beatificação e Canonização de Irmã Dulce.

1999

12 de junho - A Arquidiocese de Salvador publicou edital onde Dom Geraldo Majella Agnelo, cardeal arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, solicita a todos os fiéis que comuniquem, diretamente ou através da comissão para a Causa da Beatificação, todas as notícias aos quais se possam colher elementos favoráveis ou contrários à fama de santidade de Irmã Dulce. Devendo-se recolher, também, todos os escritos a ela atribuídos.
13 de agosto - O frei italiano Paolo Lombardo foi convidado a ser o postulador da Causa.
14 de agosto - A Congregação para a Causa dos Santos publicou edital concedendo o "Nihil Obstat", documento onde a Santa Sé decreta não existir impedimento para a introdução da Causa.
28 de setembro – Foi realizada a 1ª reunião da Comissão Pró-Beatificação para tratar da arrecadação de fundos para o Processo.

2000

17 de janeiro – Foi realizada a abertura do Processo Canônico sobre a vida, virtudes e fama de santidade de Irmã Dulce, realizada na Catedral Basílica de Salvador, quando foi instalado o Tribunal Eclesiástico, presidido pelo cardeal arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Geraldo Majella Agnelo, que constituiu a comissão histórica, responsável pela busca e preparação de todos os documentos que se referem à pessoa, às virtudes e as obras da Serva de Deus.
26 de maio - Os restos mortais de Irmã Dulce foram transladados da Igreja da Conceição da Praia, onde foi sepultada, para a Capela do Convento Santo Antônio.
Setembro – Foi apresentado o estudo preliminar de arquitetura do Santuário de Irmã Dulce, a Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. A construção da Igreja atende a uma recomendação do Vaticano, no sentido de que os candidatos a beato e a santo tenham um espaço de devoção, sendo a garantia de permanência e sobrevivência da espiritualidade e da manutenção do carisma de Irmã Dulce.

2001

22 de fevereiro - O Tribunal Eclesiástico recebeu o relato de um milagre alcançado por intercessão de Irmã Dulce. O caso foi avaliado pela equipe médica do Hospital Santo Antônio e passou a ser estudado com os rigores exigidos.
08 de maio – O governo do Estado da Bahia sancionou lei cedendo o prédio do Círculo Operário da Bahia às Obras Sociais Irmã Dulce para abrigar, em parte da edificação, a Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus.
18 de maio - A Comissão Histórica entregou ao Tribunal Eclesiástico o resultado das pesquisas realizadas.
1º de junho – Foi concluído o Processo Canônico Diocesano para a canonização da Serva de Deus, Dulce Lopes Pontes, quando houve uma cerimônia de encerramento na Catedral Basílica de Salvador, presidida pelo cardeal arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Geraldo Majella Agnelo.
02 de junho – Ocorreu a entrega dos trabalhos do Tribunal Eclesiástico na Congregação para a Causa dos Santos.
07 de novembro - A Congregação para a Causa dos Santos reconheceu a validade jurídica da documentação apresentada e deu início à fase Romana da Causa.

2002

13 de março - Na passagem dos 10 anos da morte da Serva de Deus foi lançada a Campanha do Tijolinho, visando a arrecadação de fundos para a construção da Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus.
Junho - A Positio ficou pronta. Trata-se de um documento canônico, misto de relato biográfico e das virtudes e resumo dos testemunhos do processo que atestam as ações virtuosas de Irmã Dulce.
27 de dezembro – Foi lançado o livro "Sementes de Amor - A Sabedoria de Irmã Dulce em 85 Pensamentos", na Fundação Casa de Jorge Amado.

2003

15 a 17 de janeiro - O Tribunal Eclesiástico foi instalado para o estudo do caso do possível milagre atribuído a Irmã Dulce.
Maio – O então governador de São Paulo, José Serra, entrega ao representante do Papa Bento XVI, em visita ao Brasil para a Canonização de Frei Galvão, em São Paulo, carta solicitando a Beatificação de Irmã Dulce.
13 de maio – Foi lançada a biografia "Irmã Dulce, o Anjo Bom da Bahia", escrita por Gaetano Passarelli, em evento no Museu Carlos Costa Pinto. Formado em teologia na tradição da Igreja Católica Bizantina e especialista em História, Filologia e Liturgia Bizantinas e Paleografia Grega, o italiano Gaetano Passarelli é autor de várias biografias de santos católicos e elabora Positios para a Congregação para a Causa dos Santos, no Vaticano.
Outubro - A Congregação para Causa dos Santos do Vaticano recebeu a Positio da Serva de Deus.
Junho - O Vaticano reconheceu juridicamente a validade de um possível milagre ocorrido por intercessão de Irmã Dulce.
Dezembro – Monsenhor Saraiva Martins, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, visitou as Obras Sociais Irmã Dulce.

2009

20 de janeiro - A Congregação para a Causa dos Santos anunciou voto favorável e unânime, de seu colégio de cardeais, bispos e teólogos, das virtudes heróicas da Serva de Deus Dulce Lopes Pontes. Os votos serão transmitidos ao Papa Bento XVI que poderá conceder a Irmã Dulce o título de Venerável. O anúncio foi transmitido no Brasil pelo arcebispo D. Geraldo Majella Agnelo na manhã de terça-feira (20) e o decreto será publicado logo após a assinatura de Sua Santidade. O título é o reconhecimento de que Irmã Dulce viveu em grau heróico as virtudes cristãs da fé, esperança e caridade e permite que a causa de Beatificação cumpra sua última etapa: a confirmação do milagre que deve passar pela última análise até o final deste ano.
03 de abril - O Papa Bento XVI reconheceu as virtudes heróicas da Serva de Deus Dulce Lopes Pontes, autorizando oficialmente a concessão do título de Venerável à freira baiana. O reconhecimento foi comunicado pelo próprio Papa ao prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, o arcebispo Ângelo Amato. O título é o reconhecimento de que Irmã Dulce viveu, em grau heróico, as virtudes cristãs da fé, esperança e caridade.

2010

27 de maio – As relíquias da Venerável Irmã Dulce foram retiradas do túmulo localizado na Capela do Convento Santo Antônio, onde estavam depositadas desde o ano de 2000 quando começou o Processo de Beatificação e Canonização, para os procedimentos de transladação para o túmulo definitivo na Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus.
08 de junho – Ocorreu a exposição pública das relíquias da Venerável Dulce, durante uma vigília na Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, que teve inicio, às 20:00 horas.
09 de junho – Foi celebrada missa solene, na Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, presidida pelo cardeal arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Geraldo Majella, às 10:00 horas, e logo após a missa as relíquias foram depositadas no túmulo definitivo, com a presença de grande público.
27 de outubro – O cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo, anuncia em entrevista coletiva à imprensa o voto favorável e unânime do colégio de cardeais e bispos da Congregação para a Causa dos Santos, a autenticidade de um milagre atribuído à Irmã Dulce, cumprindo, dessa forma, a última etapa do processo de beatificação da religiosa.
10 de dezembro - O Papa Bento XVI autoriza a promulgação do decreto do milagre que transforma a Venerável Dulce em Beata, ou Bem-aventurada. A autorização foi dada pelo pontífice ao prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, em audiência privada no Vaticano.
11 de dezembro - Um dia após o decreto papal, a fase de canonização do processo foi iniciada. Isto significa que qualquer graça ocorrida a partir desta data pode vir a ser analisada pelo Vaticano como o potencial milagre de sua santificação ou canonização. 

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